Ferenão Ferro

Um Pouco da Sua História

   As origens deste lugar não são conhecidas com exatidão. E com o imaginário popular que traz sempre algo real. Assim, com base na lenda, é referida a hipótese da actual Freguesia de Fernão Ferro, ter origem no nome de Fernan Peres, irmão de D. Paio Peres Correia, senhor feudal, Mestre da Ordem de São Tiago, (criada no ano de 1161), constituiu com a Irmandade Leonesa de Santo Elói, uma Associação Eclesiástica e Militar, com o objectivo de defender os peregrinos que iam venerar o sepulcro de Sant’Iago em Compostela.

O “Babilon”, cognome por terá sido conhecido Fernan Peres, cognome que na época era atribuído aos cruzados que no reinado de D. Sancho II demandavam por terras da Babilónia, para defesa e guarda do túmido de Cristo.

Sabe-se que por alturas da Guerra Civil, em que se confrontaram o rei D. Sancho ll e seu irmão (futuro D. Afonso II), Fernan Peres caiu em desgraça, procurando refugio neste lugar protegendo-se da anarquia reinante. Fernan Peres cobrava tributo a todos os viajantes que demandavam de e para Sesimbra, no antigo caminho que servia de ligação para Almada, local onde se encontra situada a conhecida “Casa das Conchas”.

Fernan Peres, tal como o seu irmão D. Paio Peres, era tido como um homem corpulento e cruel. A Cruz de Cristo, incrustada nas armas dos cruzados, simbolizava o punho da espada, arma que sempre os acompanhava e que na época era designada por Ferro. Mais a actividade de ferrar animais, terá tido influência no tratamento de Fernan Peres para Fernan Ferro. Por qualquer destas razões, aliadas à sua corpulência a crueldade, o lugar começou a ser conhecido por “ a de Fernan Ferro”. Com o passar do tempo “a de Fernan Ferro” passou a ser conhecido por “Fernão Ferro.

A primeira referência a Fernão Ferro, encontra-se registada em documento existente na Torre do Tombo, que refere o seguinte: “ Em 10 de Janeiro de 1501, os Sesmeiros e Sezimbra (Alcaide-mor e Almoxarife) do Castelo, dão carta de sesmaria a favor de Braz Teixeira, cavaleiro da Casa de El-Rei Nosso Senhor D. Manuel I, os terrenos onde se chama de Fernão Ferro, com as suas fontes e ruínas de uma casa que pelo aspecto parece de outros tempos, para aproveitar em vinhas, terras de cultivo e em pomar”.

João Teixeira, filho de Braz Teixeira, em 1547, ano da sua morte, deixa em testamento aos frades Jerónimos do Mosteiro de Belém, a quinta de Fernão Ferro. Em 1548, a pedido dos frades Jerónimos, D. João III, passa-lhes “Carta” onde os autoriza a tomar posse da quinta de Fernão Ferro.

Com a extinção das ordens religiosas, no ano de 1834, os pinhais da Palmeira e do casal de Fernão Ferro, foram vendidos em hasta pública e adquiridos por Gabriel Borges Marques Rocha, que os trazia arrendados para o cultivo de tabaco.

Ainda nesse ano, com a liquidação do “Contrato do Tabaco”, os pinhais, terras de cultivo e as casas são adquiridos por Abraão Wheelhouse, cuja filha Georgina as herdou como dote de casamento com José Joaquim de Almeida Lima, em 1849.

O povoamento de Fernão Ferro é recente, corria o ano de 1902, quando se iniciou a fixação de famílias, oriundas de outros lugares como, Brejos da Moita, Barra Cheira e Penalva. A família dos “Amaros” terá sido a primeira a fixar-se, seguindo-se a dos “Valentes”, “Mirandas”, “Sacoutos”, Padre Nossos”, “Gomes”, “Nogueiras!, “Tostão” entre outras.

Quando se fixaram, o planalto era arborizado por densos pinhais, só existia mato e pinheiros mansos. Nestes terrenos, trinta e três famílias desbravaram matos e começaram a cultivar a terra, outras famílias trabalhavam nos pinhais da família Almeida Lima no corte do pinho, que era transportado para o Porto da Raposa, na orla ribeirinha de Amora. Neste local, o pinho era embarcado em fragatas para Lisboa, para ser utilizado como combustível nos fornos da capital.

As habitações dos primeiros habitantes de Fernão Ferro eram de construção simples de adobe e de taipa, as divisória interiores eram de madeira e o piso era de terra batida, sobressaiam as largas chaminés dos fornos.

Por volta de 1944, a família Almeida Lima, senhoria das terras de Fernão Ferro, moveu uma acção judicial para despejo dos rendeiros que durante décadas haviam des bravado matos e transformado em espaços de cultivo, construindo casas e criado famílias.

Perante esta situação o governo da época, publica o Decreto-Lei n.º 39917, de 20 de Novembro, expropriando os terrenos, entrando estes aos colonos, com mediação da Junta de Colonização Interna, ao preço de 1$00 por metro quadrado, para neles continuarem a actividade agrícola.

Na região havia diversas lagos e charcos, sendo os mais importantes o “Lago de Sesimbra”, Lagoa do Colorau” e a “Lagoa das Marcelas”.

No início do século XX, Fernão Ferro era local de passagem da diligência que fazia o transporte entre Sesimbra e o Seixal, local onde havia uma muda de animais que puxavam a diligência. A carreira era explorada por João Maria dos Anjos, que décadas mais tarde deu origem a uma carreira de autocarros, com os mesmo nome, entre Sesimbra e Cacilhas.

Fernão Ferro também foi ponto de passagem do círio da região saloia de Lisboa e da Costa da Caparica para a romaria da Senhora do Cabo Espichel, que ocorria no mês de Setembro. Passavam por esta localidade centenas de carroças decoradas com canas e enfeites de papel, por hábito descansavam e almoçavam junto do Chafariz.

Havia um refrão cantado na época sobre a passagem do círio, que era o seguinte:

Adeus Fernão ferro

Até ao ano que vem

Se não fosse a senhora do Cabo

Não vinha cá ninguém.

Em 1960, a escola primária, construída no âmbito do “Plano dos Centenários”, tinha vinte alunos, alguns dos quais vinham a pé da Apostiça, Mesquita e Flor da Mata.

Em 1969, a Câmara Municipal do Seixal, concedeu alvará de loteamento a António Xavier de Lima, que inicia a venda de parte da sua propriedade em lotes.

Em 1970, António Xavier de Lima, constrói uma Igreja e um Centro Paroquial, que seria inaugurado pelo Cardeal Cerejeira.

O Gabinete do Professor Costa Lobo, em 1974, elabora para Fernão Ferro um Plano de Reconversão, que prevê 30.000 habitantes para a zona.

Em 27 de Maio de 1993, é criada a Freguesia de Fernão Ferro.

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