Introdução
O empreendimento conhecido como Hotel do Muxito, também conhecido como Estância do Muxito, propriedade da empresa Lino & Zimbarra, foi inaugurado em 1957, encontra-se localizado junto à povoação de Cruz de Pau, freguesia de Amora, concelho do Seixal, na zona de Vale de Gatos, motivo pelo qual o seu logotipo era um gato. O acesso era efectuado pela Estrada Nacional 10.
O empreendimento era constituído por um hotel, um apart-hotel, uma discoteca, campos de ténis, lagos artificiais, uma pequena praça de touros, um centro hípico, uma estação de serviço rodoviário e um posto de abastecimento, e um motel com treze vivendas. Também possuía dois restaurantes, um à entrada e outro no último no piso do hotel. Tinha igualmente uma piscina, que foi a primeira de dimensões olímpicas a ser construída em território nacional, com uma prancha de dez metros. O complexo contava também com uma zona arborizada com vários hectares, onde os hóspedes podiam circular em veículos motorizados, que eram disponibilizados pelo próprio hotel. Os edifícios destacaram-se pelo seu avançado estilo arquitetónico, com motivos inspirados nas construções das antigas colónias portuguesas.


O Hotel do Muxito foi de grande importância económica e social para a região, tendo-se afirmado como um dos símbolos da Amora e do Seixal.
História
Foi muito conhecido durante as décadas de 1950 e 1960, especialmente junto das classes mais abastadas, tanto a nível nacional como internacional. A sua popularidade também se deveu à sua situação privilegiada, junto à Estrada Nacional 10, que ligava Lisboa ao Alentejo e Algarve. Era o local de eleição para alojar as equipas de futebol nacionais e internacionais que ti
nham jogos na margem Sul do Tejo, aproveitando as excelentes condições do empreendimento para estagiarem. Seguiu-se um período de expansão, incluindo a construção de um hotel com sessenta quartos e de outras estruturas. Os gestores do hotel também fizeram obras nas estradas até à praia da Fonte da Telha, de forma a facilitar o acesso por parte dos hóspedes aquele destino balnear.

A inauguração da Ponte sobre o Tejo e a construção da auto-estrada até ao Casa do Marco, cortou em duas partes o empreendimento ocupando os espaços onde se localizavam os cortes de ténis, possivelmente provocou um decréscimo na procura pelo empreendimento, causando-lhe problemas financeiros, que se agravaram com o falecimento do sócio Zimbarra em 1973. A empresa proprietária do Muxito entrou em falência. Foi vendida em leilão a uma cadeia hoteleira dirigida por Gordana Bayloni, de origem jugoslava. Os novos proprietários fizeram obras e chegaram a criar grandiosos planos para ampliar o complexo, com plano do arquitecto francês Jacques Couëlle , que incluía a construção de outro hotel, de mais vivendas e um centro comercial, que poderia ter sido o primeiro grande espaço deste género em Portugal. Porém, estes esforços não resultaram, tendo o empreendimento continuado em declínio.
Em Março de 1975, o antigo complexo do Muxito foi ocupado pelos grupos de extrema esquerda Frente Socialista Popular e Liga de Unidade e Acção Revolucionária e por comissões de trabalhadores, tendo esta ocupação sido parcialmente motivada pela associação do hotel com as classes mais elevadas.
No local foi formada a Comuna Che Guevara, que deveria servir de apoio social às populações.
Porém, pouco tempo depois o complexo passou a ter uma função mais militar, tendo sido montado um campo de treino para os militantes, situação que perdurou até 25 de Novembro de 1975.
O restaurante, à entrada do hotel do Muxito foi alugado diversas vezes desde então.
Devido à explosão populacional no concelho do Seixal, várias partes da antiga propriedade foram aproveitadas para outras funções, incluindo a construção de urbanizações e do Complexo Municipal de Atletismo Carla Sacramento, que foi inaugurado em 2001,
Em 1999 faleceu Gordana Bayloni, os seus herdeiros tornaram-se responsáveis pela empresa Lare-i-rá, proprietária do complexo hoteleiro. No entanto, a falta de verbas impossibilitou a recuperação do Muxito.
A autarquia do Seixal também se mostrou interessada na unidade hoteleira, embora estes planos foram dificultados devido a conflitos políticos e problemas com a captação de fundos comunitários.
Os edifícios caíram em ruína, sendo ocasionalmente palco de jogos de paintball.
O filme português de ficção cientifica RPG, apresentado em 2013, utilizou o espaço do empreendimento Muxito para filmagens.
Fonte: Internet























