Mundet – Um Pouco da Sua História

Antecedentes 

A partir de 1860, na quinta da Bela Vista uma propriedade agrícola localizada à entrada do Seixal, pertencente à Casa do Marquês de Abrantes, instala-se a fábrica de produtos químicos e sabão da empresa francesa H. Pardel & C.ª.

Passados sete anos do início da actividade da fábrica, esta é vendida a Henri Borguet, que deu continuidade à sua laboração.

Após cerca de cinco décadas de laboração e da presença de vários mestres franceses e belgas, no início do século XX a propriedade passa a ser conhecida por Quinta dos Franceses.

Instalação e Existência

Em 1905, uma parte da propriedade foi vendida à empresa L. Mundet & Sons, Inc., empresa espanhola, fundada no século XIX, pelo empresário catalão Lorenzo Mundet, na cidade de Palmos, na Catalunha. Que expande para Portugal a sua actividade, instalando-se no Seixal.

A principal motivação para o estabelecimento da empresa em Portugal, terá sido a grande oferta de matéria-prima necessária ao abastecimento das suas unidades fabris.

A Mundet & C.ª, Lda. (sucessora, em Portugal da L. Mundet & Sons, Inc, a partir de 1922), além da fábrica do Seixal, em 1923 abre a fábrica do Montijo, após Mora e Amora terminando a expansão em território nacional com a fábrica de Vendas Novas já em 1949.

Dos 200 trabalhadores à data da instalação da fábrica no Seixal, na sua maioria mulheres e menores provenientes de famílias de pescadores locais, na década de 40 as unidades fabris da Mundet chegaram a empregar mais de 4.000 operários, possivelmente foi a década mais marcante no desenvolvimento da actividade da empresa em Portugal.

Durante a primeira metade do século XX a expansão a nível mundial é poderosa tornando-se numa marca incontornável a nível de produção de cortiça tendo em conta que abriu fábricas nos Estados Unidos da América, Canada, México, Espanha, Argélia e Reino Unido embora mantendo a fábrica do concelho do Seixal como principal  eixo comercial para as restantes. 

A Mudet também era conhecida pelas suas instalações e políticas sociais pioneiras em Portugal.

No âmbito social há a destacar:

Apoio comunitário, através da disponibilização de refeitórios e da famosa “sopa dos pobres” para a população carenciada;

Apoio aos funcionários, através da construção de creches e jardins de infância , numa época em que o número de trabalhadoras femininas era muito elevado;

No início dos anos 50, a “Caixa de Previdência do Pessoal da Firma Mundet & C.ª” Lda.” prestava de forma modelar socorros clínicos e medicamentos aos operários de todas as suas fábricas, comparticipando igualmente na aquisição de aparelhos de prótese, ortopedia e óculos.

Nas décadas de 1950 e 1960, a empresa utilizava anualmente cerca de 35.000 toneladas de matéria-prima.

Produzindo uma gama variada de produtos em cortiça (natural e em aglomerado), a Mundet deteve uma rede internacional de distribuição de produtos, participando na globalização do sector corticeiro.

Durante a década de 60, as fábricas situadas em Amora, Mora e Ponte de Sôr viriam a fechar portas e após 1970 somente as unidades industriais situadas no Montijo e Seixal continuaram a trabalhar. 

Aquando do 25 de Abril de 1974, a Mundet encontrava-se em rotura financeira devido a má gestão e desvio de capitais pela administração, tendo os operários ocupado a fábrica e criado uma comissão administrativa, iniciando um período de autogestão.

A Mundet conseguiu recuperar a situação financeira, mas entrou novamente em colapso na década seguinte.

Em 1988, as fábricas Mundet do Seixal e do Montijo após um procedimento de gradual redução de operários, iniciaou o processo de insolvência que é, definitivamente, declarada em Junho de 1993.

Ao longo do século XX, o quotidiano dos habitantes do Seixal foi pontuado pelo búzio da fábrica Mundet, o qual marcava simultaneamente o ritmo do trabalho na unidade fabril, bem como a informação horária á população.

Ao longo do seu período de actividade, a história empresarial da Mundet & C.ª, Lda, confunde-se com a história do movimento operário e com o desenvolvimento sociocultural e económico da comunidade local. Famílias houve em que foi o local de trabalho de pais, filhos e por vezes dos próprios avós.

Em dezembro de 1996, a Câmara Municipal do Seixal adquiriu os terrenos da antiga fábrica. 

Do conjunto de edifícios legados pela fábrica destacam-se as oficinas ligadas à preparação e transformação da cortiça, as zonas de armazenagem de matéria-prima e de produtos acabados, as caldeiras de cozer, o edifício das caldeiras Babcock & Wilcox, a central eléctrica, as oficinas de Rebaixar e de Champanhe Aglomerado, os escritórios, a creche e a casa de infância e o cais da Mundet.

A Câmara Municipal do Seixal, procedeu à  musealização de dois edifícios da fábrica. 

Em 1998, abria ao público o Edifício das Caldeiras Babcock & Wilcox e, no ano 2000, o Edifício das Caldeiras de Cozer. Ambos os edifícios integram a área expositiva do Núcleo da Mundet relativa à divulgação e à valorização do património industrial corticeiro do concelho.

Além do acima referido, parte dos terrenos encontram-se ocupados por espaços de lazer, de restauração, pavilhão desportivo e um Hotel. 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *