Fábrica de Vidros de Amora

Empresa da Fábrica de Vidros da Amora, foi Fundada em 1888 e foi constituída por José Lourenço da Silva Gomes, Justino Guedes e os irmãos James e William Gilman. No Ano seguinte á sua fundação, 1889, transformou­-se em sociedade anónima, tendo como principal acionista António Centeno (Jurista, deputado do Partido Progressista entre 1884 e 1910, jornalista, proprietário do Diário Popular e homem de negócios, ligado sobretudo ao sector da energia, tendo sido administrador da Companhia do Gás e depois das Companhias Reunidas do Gás e da Electricidade, durante 56 anos desde a fundação até à sua morte, em 1947).

Os primeiros fornos e máquinas vieram de Inglaterra, bem como os primeiros operários especializados. Contudo, nada correu bem: os fornos avariaram, o preço do carvão subiu, as metas de produção não foram atingidas e, os trabalhadores ingleses entraram em greve, provavelmente por pretenderem salários e condições de trabalho semelhantes às de Manchester.

FVA

Entretanto, as relações entre os proprietários ingleses e portugueses deterioraram-se. Finalmente, houve “motins” que levaram à expulsão dos ingleses e ao encerramento da fábrica.

Uns meses depois formou-se um consórcio ítalo-português. A Companhia da Fábrica de Vidros na Amora foi criada no mesmo local com capital dos irmãos Centeno e David Corazzi. Agora, a tecnologia é alemã: os altos-fornos e fornos de fundição são da Siemens & Halske.- A 2 de julho de 1890, chegam à Amora, via Hamburgo, 30 sopradores de vidro, seus assistentes e famílias. São cerca de 160 habitantes, é a terceira maior comunidade alemã em Portugal.

FVA

Em 1890, é construido um forno contínuo a gás do sistema Siemens, dotaram a fábrica com 12 máquinas de produção de gás pobre e 2 máquinas a vapor de 4 cv cada uma, elevando para 8.000 a produção diária de garrafas em contraponto às 2.400 anteriores.

A Fábrica de Vidros de Amora (FVA) esteve na origem da indústria portuguesa do vidro de embalagem. 

Fabricava garrafas, para vinho, cerveja, gasosa e águas minerais, garrafões e frascos. Tal produção sustentava­-se sobretudo na exportação do vinho, que registou um forte crescimento a partir de 1885.

Na FVA, o sulfato de soda, o manganês, a areia, o barro e a pedra calcária eram nacionais. O pessoal técnico tal como a tecnologia era estrangeira, o carvão que alimentava as caldeiras e o forno a gás pobre era importado de Inglaterra, produziam para o mercado nacional (centrado em Lisboa e no Porto), onde a competição com produtos congéneres nacionais ou estrangeiros lhes reduzia em muito a capacidade de obterem grandes lucros. 

FVA

Em 1892, a FVA  ganhou a medalha de ouro na Exposição Industrial Portuguesa realizada no Porto. Contudo, nesse mesmo ano, a empresa viu-se em dificuldades para escoar a sua produção de garrafas pretas, pois o mercado interno era diminuto e a absorção pelos exportadores de vinho ficou comprometida com a pauta de 1892.

Esta pauta isentava de direitos alfandegários as garrafas que fossem reexportadas (75% das garrafas anualmente consumidas no país) favorecendo a utilização das garrafas estrangeiras. Apesar desta cedência do governo, a empresa resistiu e singrou. Em 1895 a administração propôs a distribuição de um dividendo de 8% sobre o capital realizado.

No período compreendido entre 1891-1898, a FVA teve um crescimento médio da produção de 14,8% .

O êxito da empresa despertou o interesse do grupo Burnay, que ambicionando deter o monopólio do setor vidreiro, comprou a FVA  em 1902.

A nova gerência introduziu máquinas semi­-automáticas Boucher de soprar e moldar garrafas, uma revolução na técnica de fabrico, mas que terá funcionado com problemas.

O relativo falhanço da FVA sob a direcção do grupo Burnay levou os antigos acionistas José da Silva Gomes e António Centeno a reabrirem, em 1904, a primitiva fábrica de vidros sob a designação Empresa da Fábrica de Vidros nas Lobatas. As duas empresas coexistiam lado a lado, mas concorrentes num mesmo mercado, fundiram-­se, em 1909.

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Ambas continuaram a manter a sua produção autónoma e sem percalços até ao início da I Guerra Mundial. A FVA viveu tempos de tal modo conturbados que encerrou a laboração. No início da guerra (verão de 1914) a fábrica parou, devido ao aumento do preço do carvão e existência de um enorme stock de material acabado,  e as vendas serem de pequena monta.

No ano de 1917, o grupo Burnay vendeu os 50% de capital que detinha na sociedade. 

Em finais de 1918, os conflitos laborais agudizaram­-se, a fábrica paralisou recorrendo à intervenção policial e à dispersão dos operários por outras fábricas de vidro do país . 

Em 1919, a FVA contava com 700 trabalhadores. 

No pós­ guerra não recuperou a antiga importância e, em 1925 estava em franco declínio, em virtude de as vendas terem diminuído mais de 90%.

Dois anos depois, os seus bens de equipamento, avaliados em 1.500 contos, estavam em leilão.

Fonte. Internet

 

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