Grandes Navegações
A passagem do oceano Atlântico para o oceano Pacífico e do oceano Pacífico para o oceano Atlântico é uma rota marítima muito movimentada desde o período das Grandes Navegações. É justamente por isso que caminhos alternativos e trajetos mais curtos sempre foram procurados pelos descobridores, já que isso reduziria o tempo e os custos de viagem. Nesse sentido, o istmo do Panamá foi uma área pensada para abrigar tal rota desde o século XVI.

O empresário e diplomata francês Ferdinand de Lesseps foi o primeiro a tirar a ideia do canal do Panamá do campo do imaginário, engendrando as obras para a construção de uma passagem de um oceano a outro no final do século XIX. No entanto, Lesseps idealizava uma via no mesmo nível do mar, projeto esse que foi contestado pelo engenheiro Adolphe Godin de Lépinay.
Lépinay foi o grande responsável pela proposta do sistema de eclusas, que seria realizado no futuro. Entretanto, os elevadores foram recusados por Lesseps, que prosseguiu com a sua obra sem desnível. Fatores associados ao clima local, muito quente e chuvoso, e a problemas de maquinarias fizeram com que a construção do canal fosse interrompida e, posteriormente, abandonada.
Os Estados Unidos adquiriram as ações da empresa de Lesseps, que havia declarado falência. Isso aconteceu no início do século XX, quando o Panamá era parte do território colombiano. Por conta disso, os norte-americanos não conseguiram dar continuidade ao projeto. Foi somente com a independência panamenha, de 1903, que os Estados Unidos deram início à construção do canal do Panamá.
Para a construção do canal, foi estabelecida a zona do canal do Panamá em 1904, quando as obras tiveram início oficialmente. O número de trabalhadores que actuaram nas escavações e na construção do sistema de eclusas ultrapassou o número de 60 mil pessoas, as quais enfrentaram muitas adversidades provocadas pelo clima local, caracterizado pelo calor intenso e por chuvas volumosas que interrompiam o trabalho, e pelas doenças tropicais. Em função disso, muitas mortes foram registradas.
A finalização do canal do Panamá aconteceu em 10 anos, o que permitiu o inicio da passagem de embarcações em 15 de agosto de 1914. O custo total das obras foi de 350 milhões de dólares. Quando do término da construção, a administração dessa hidrovia era feita pelos Estados Unidos. No ano de 1977, os governos norte-americano e panamenho assinaram os Tratados Carter-Torrijos, que dispunham sobre a gestão do canal.
Por meio dos tratados dos anos 1970, os norte-americanos garantiram que a administração do canal do Panamá seria passada oficialmente ao país centro-americano no ano de 1999, e assim foi feito. Para o controle e a gestão dessa importante hidrovia, foi estabelecida, naquele mesmo ano, a Autoridade do Canal do Panamá.
Cerca de 180 rotas marítimas são realizadas através do canal, que serve 170 países e mais de 1920 portos. Anualmente, cerca de 14.000 embarcações passam por essa via.
O canal do Panamá é uma hidrovia artificial localizada na América Central e que faz a ligação entre o oceano Atlântico e o oceano Pacífico na altura do mar do Caribe. Essa via marítima foi construída em uma região denominada istmo do Panamá, uma faixa muito estreita de terra que conecta o subcontinente América do Norte ao subcontinente da América do Sul na região do Panamá, país centro-americano. Por isso, essa hidrovia recebeu esse nome.
Para que serve o Canal do Panamá
O canal do Panamá é uma via marítima que serve para a passagem de embarcações entre o oceano Atlântico e o oceano Pacífico por meio de um trajeto curto, sem a necessidade de contornar a América do Sul. Essa importante hidrovia representa, ademais, uma via de acesso rápido, e também mais barato, para os principais mercados que movimentam comércio internacional.
Características do Canal do Panamá
O canal do Panamá é uma passagem artificial, isto é, construída pelos seres humanos, com extensão de 82 quilómetros e largura média de 200 metros. Esta última medida sofre variações em função da presença de lagos ao longo do canal. Na região do lago de Gatún, por exemplo, a via chega a 350 metros de largura, enquanto, em seu ponto mais estreito, o canal do Panamá tem apenas 90 metros, numa parte que recebe o nome de estreito de Caluebra.
O funcionamento do canal é efectuado por meio de eclusas, espécies de elevadores que realizam a elevação do nível da água para auxiliar na travessia das embarcações. Essa elevação é da ordem de 26 metros de altura. Os navios são estacionados sobre as eclusas e os portões de acesso são fechados para que, assim, possa ser feito o procedimento de subida do nível da água e posterior passagem da embarcação de uma eclusa a outra, até finalizar a travessia do canal.
São três as eclusas que compõem o canal do Panamá:

Gatún;
Pedro Miguel;
Miraflores.
O tempo gasto para a travessia do canal é de seis a oito horas. Para isso, as embarcações devem pagar uma taxa de utilização, cujo valor depende de alguns fatores, como o valor e o peso da carga transportada, as dimensões da embarcação, e o nível de água disponível no canal no momento da travessia.
Em 2007 tiveram inicio as obras de ampliação do Canal do Panamá. Elas envolveram a construção de eclusas maiores, possibilitando a passagem de cargueiros de maiores dimensões. As estruturas originais, com 33,5 metros de largura e 12,8 metros de profundidade, permitem a navegação de navios capazes de carregar 4,4 mil TEU (unidade equivalente a um contentor de 20 pés). As novas eclusas, com 55 metros de largura e 18,3 metros de profundidade, podem receber embarcações com até 12 mil TEU. Também o comprimento máximo dos navios que passam pelo canal teve uma aumento de 3 metros, passando de 367,28 metros para 370,33 metros
Estes três metros a mais, permitem que 96,8% dos navios porta-contentores do mundo possam usar o Canal do Panamá.
Com a melhoria das condições de navegabilidade, as transportadoras ganham maior flexibilidade na gestão das suas frotas e podem tirar ainda melhor partido da ligação rápida entre os oceanos Pacífico e Atlântico.
Resumo sobre o canal do Panamá
- Canal do Panamá é uma hidrovia artificial que liga os oceanos Atlântico e Pacífico.
- Situa-se no istmo do Panamá, na América Central.
- Foi construído entre 1904 e 1914, e foi gerido pelos Estados Unidos até o final da década de 1990.
- É administrado, desde 1999, pelo Panamá por meio da Autoridade do Canal do Panamá.
- Essa via serve para a passagem de embarcações entre os dois oceanos, sendo uma importante rota do comércio internacional.
- O canal tem 82 km de extensão e largura variável entre 90-350 metros, comportando grandes embarcações.
- Funciona por meio de três sistemas de eclusas, espécies de elevadores que controlam o nível da água para a travessia.
- As embarcações devem pagar uma taxa para atravessá-lo.
- O percurso demora entre seis e oito horas.
Cerca de 180 rotas marítimas são realizadas através do canal, que serve 170 países e mais de 1920 portos. Anualmente mais de, 14.000 embarcações passam por essa via.

























